quarta-feira, julho 08, 2009

Três dias

Baseado em fatos reais

Meu estomago se apertava todas as vezes que eu ouvia a palavra cirurgia. O medo se instalava em minha mente e dominava a minha alma e até a razão.
- Queria eu proteger ele? Ou proteger a mim?
Não sabia se estava certa ou errada. Mas queria poder evitar. Quem dera existisse poderes especiais.
Não teve como fugir.
Lá estava ele. Em plena segunda-feira, de avental cirúrgico - detalhe "Florido". Quando foi umas 17:40 ele entrou na sala de operação.
18:30
19:30
20:30
21:30
22:30 - O médico liga. Na sala de reunião explica o procedimento cirúrgico. E ele aguarda na sala de pós-cirurgia até a anestesia passar.
23:30
24:00
1:00
2:00 ele sobe para quarto. Intubado, com dreno de sangue. Branco que nem papel e dopado com morfina. Tive vontade de chorar. Mas o choro não me dominou. Ele precisa de mim, firme e forte.

Dia seguinte

Os enfermeiros foram tirar o sangue do dreno: 220 Ml do Braço. 68 Ml da bacia. (de sangue). O enfermeiro jogou o sangue na privada e não deu descarga. Quando entrei, quase vomitei e me deu uma crise de choro. Normal. Limpei a cara e sai sorrindo.
- Está tudo bem!
Nessa noite passei as horas olhando o que os Mendigos estavam fazendo na rua. As vezes lia "A menina que roubava livro" e depois voltava a olhar os mendigos. O café e a Coca-cola me acompanharam.
Descobri que amor não é nada. E sim que aquele era o homem da minha vida e que eu queria levar ele pra casa.

3º dia

Não sei o que está acontecendo, tive que deixa-lo. O trabalho me chamava. Meu coração ficou com ele. Minha alegria também.

E para melhor: Partiram meu coração em farelhos. Estou aqui firme e forte como prometi a mim mesma. Sem sono - apesar de poucas horas de sono. Sem fome - ansiedade. Sem dor - Por dormir num sofá. Não sinto nada. Só saudades!
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